Mariana

no frio da manhã eu espero as sete no caminho tem o esgoto na volta eu fico alegre e em casa chega os sonhos quase volto a dormir a cabeça quieta não sente o cheiro do pobre cheiro de si a mente quieta mas não pode dormir é um trago, é algo mais ou menos assim e quando chega a madrugada e a lua olha para mim é um beco sem saída é uma viagem sem fim é a aquela parte trágica da vida ou é estranho olhar a lua de tão longe assim no final noite branca, sonhos leves o tempo nunca espera pelo dia mas passa rápido quando se cede levanto de manhã, já é as sete

panfletos

mil e uma... é o que eu escrevi o que eu ganhei muitas dividas armazenei dúvidas e preguei minhas dádivas recusei todos dogmas e entreguei todas em folhas o que eu recebi? panfletos pra me lembrar do quão insignificante

Caneta

eu mal leio, só escrevo me perco num beco me acabo, um frevo me encanto se não eu bebo não mordo mas arranho e sou difícil de alcançar eu mal saio só me acalmo fico quieto, calado espero meu amigo chegar as vezes e no geral eu fico só mas sem medo de ficar só o ressentimento só o sentimento

J

Já joguei meus jogos pra Jó pra não ter que me sonhar com a letra J Já não me acordo mais com Jana A esse ponto já tranquei a porta Mas e que Jana a guiar-me entre o fim de suas asas vejo no fundo que Jana já se vai Me deixando jurado das Juras que me fez E dos planos judiados pela Jura de amanhã e eu como jacente já senti como Jana me fez mas jazido assim já é hora de Jana ir também

Noites em Branco

Noites em branco, por que não dormi fico sonhando pelo dia e esqueço das coisas rotineiras esqueço dos detalhes das coisas simples pior de tudo, e que por mais que eu tente algo sempre me deixa acordado alguma luz no fim do túnel, um prédio em minhas costas um cigarro pra fumar tudo que eu sinto é taquicardia um aperto no peito as vezes frustração as vezes só vontade de chorar as vezes nem isso o pior de tudo é não dormir, o pior de tudo é não saber por que

poesia popular

poesia popular eu tô fora prefiro meus desabafos líricos o pensamento eufórico que a mente exala das centenas de escrituras e manifestos poesia é na esquina, no coração da cidade no centro de rio branco onde moram os pombos o esgoto, os assaltantes a poesia é distúrbio social é o verdadeiro manifesto é a verdade crucial é um beco sem saída é poesia marginal.

pedaços

só escrevo em pedaços fragmentos de mim pedacinho por pedacinho até meu coração destilaçado fazer gozo de mim sou como uma carta sem nota e palavras como seu paladar respiro tuas notas e o acorde é um Lá como um Ré aumentado como meu coração em pedaços é tão fácil esquecer quanto é difícil lembrar mesmo assim o acorde acaba em Fa

Sem Titulo

tudo que eu digo e falo tem o mesmo retrato, do teu cheiro e tato e sua presença e tudo que eu tanto desmancho e refaço é um traço, que rasga minha voz no asfalto um alarde, uma terça e eu sei que apesar de tudo vou me manter no escuro pois a luz é demais o devaneio pra quem tem o dia inteiro pra se ilusionar

Cobramento

Pagamento a cobrar cobra essa me cobra cobra essa que em meu dionísio me faz sério, apolisiaco e me condena por criar Pagamento a cobrar desliguei o telefone ninguém vai mais ligar sai só pra perceber que o pagamento é você.

Biologia

é bióloga abriu meu peito e fez de brinquedo não disse uma palavra o dia inteiro é um J é um poema o que importa?, é biologia é história um momento ou dois ou nada mais é o que você deixou pra mim, ou pra trás eu só tive uma parcela e das dividas e das dúvidas que eu já paguei parcelei em três vezes o coração e o juízo vai pra longe pra já ter saída da emoção que só Jana concede mas sedento quero o coração o intestino, e o tato quero tudo e de você tenho nada tenho pensado e sem o coração que você levou só tem sido pesado e das cartas que lhe escrevi queime tudo dessa vez e o meu coração, esqueça não quero mais e de você, não sobrou nada a dizer

Raiar

Às vezes seu olhar não olha para mim, e quando no castanho raiar a embriaguez, e só assim que você olha para mim, procurando o que não está aqui, nem em mim, nem em você, só pra assim poder sentir, só pra não me esquecer das juras ou mesmo Judas que você me faz entender. E por mais que eu esteja sempre embriagado, nessa noite eu desconto a sobriedade em você, segurando em sua mão e explicando a covardia que solenemente deixo acender, como os fósforos que já apaguei, os mais difíceis de esquecer. Nessa noite, seu vinho a beber, nessa noite, só resta você.

Instável

Instável como o mar, sou o vento, tempestade, sou as marés que percorrem para a lua, sou a falta de amor nos becos, nas ruas. Sou a tempestade em copo d'água, infiel, escandaloso, atrevido, que corta feito papel. E se precisar, escrevo outra, e em versos me declaro, me confesso, um desabafo. Falo um tanto que dói, daí me calo, deito na cama e passo o dia inteiro deitado, despreocupado, calado. Por esse lado, sou tudo isso que destrói, sou o caos, o niilismo, tudo isso que corrói. Sou feito do mesmo ar que percorre a madrugada, sou ventania em tempo de nevada, sou tudo isso e mais um pouco.